Voltar para a Home
Investidor Institucional
12 de fevereiro de 2026

RPPS usavam mesmo modelo para investir no Master, diz auditoria

RPPS usavam mesmo modelo para investir no Master, diz auditoria RPPS fevereiro 11, ...

RPPS usavam mesmo modelo para investir no Master, diz auditoria
Créditos: Investidor Institucional

RPPS usavam mesmo modelo para investir no Master, diz auditoria

Relatório de auditoria do Ministério da Previdência Social concluiu que Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), entre eles a Amapá Previdência (Amprev) e outros institutos municipais, utilizaram modelos idênticos de justificativa para credenciar o Banco Master e autorizar investimentos em suas letras financeiras. O documento aponta que os textos empregados nos processos de habilitação eram literalmente iguais em diferentes entes federativos, variando apenas os valores das aplicações.

A auditoria classificou a repetição como “sinal evidente” de ausência de análise técnica própria por parte dos institutos responsáveis pelos recursos previdenciários. Segundo o relatório, em pelo menos três municípios de estados distintos — Itaguaí (RJ), Aparecida de Goiânia (GO) e Congonhas (MG) — foram identificados documentos com a mesma redação utilizada pela Amprev. O relatório do ministério não detalha se a prática foi replicada em outros RPPS além dos citados.

Na avaliação dos auditores, os pareceres acabaram assumindo caráter promocional, em vez de refletirem exame independente sobre riscos, estrutura de capital e capacidade de pagamento da instituição emissora. Trechos destacados pelo relatório descrevem o banco como instituição “com mais de 50 anos de história”, detentora de “tradição, solidez e credibilidade”. Também aparecem referências à mudança de controle acionário em 2019, quando Daniel Vorcaro assumiu a instituição — então denominada Máxima — e à suposta “virada operacional”, com modernização e investimentos em tecnologia.

Para os auditores, os textos não continham aprofundamento sobre riscos financeiros, tampouco análise sobre o histórico de cumprimento de obrigações da instituição. O documento afirma que houve “ausência de consideração analítica das informações disponíveis no processo decisório” e classifica a conduta como “negligência incompatível” com a responsabilidade fiduciária dos gestores de RPPS.

O relatório enfatiza que o credenciamento de instituições financeiras não pode se limitar a procedimentos formais, mas deve envolver avaliação criteriosa de risco de crédito, governança e solvência, especialmente em operações de prazo longo, como as letras financeiras analisadas.

A Amprev investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master. O investimento foi aprovado em três reuniões realizadas entre 12 e 30 de julho de 2024. Na primeira, o comitê de investimentos autorizou R$ 200 milhões, e nas duas reuniões seguintes foram liberados mais R$ 100 milhões em cada uma. As aplicação foram feitas com taxa de retorno 8% ao ano e pelo prazo de dez anos.

A auditoria do Ministério da Previdência Social foi compartilhada com a Polícia Federal e integra o conjunto de apurações relacionadas às aplicações da Amprev no Banco Master. O ministério alerta que a ausência de verificação adequada sobre a capacidade financeira da instituição pode comprometer a segurança dos recursos dos segurados.